Compre 2 berloquesGANHE +1 GRÁTIS * Promoção válida até 31/08/20.

Solange Coelho

SOLANGE COELHO, UMA MULHER QUE NASCEU PARA VIVER FELIZ!

A história inspiradora da nossa fundadora que vive feliz desde que nasceu.

Era uma vez uma menina de origem humilde, a primogênita de cinco irmãos, todos nascidos e criados na simplicidade de um dos bairros mais carentes da cidade de Pará de Minas.

Esse enredo que poderia ser o início de um conto de fadas, nada mais é que a história de vida da minha amada mãe Solange Aparecida Silva Coelho, que teve início há sessenta anos.

Aos 10 anos de idade, a protagonista desta história mostrou atitude e maturidade frente à separação de meus avós. Na época, Dona Maria, mãe de Solange, saiu de casa por uma semana, e somente retornou após minha mãe exigir que ela voltasse. O argumento certeiro utilizado era o de que quem teve filhos foi minha avó e que era dever dela cuidar dos filhos e não obrigação de uma criança que acabava de completar uma década de vida.

Essa foi uma das oportunidades em que minha mãe mostrou que abordaria as dificuldades da vida como brincadeiras de criança. Precocemente, por volta dos 13 anos, pegava carona no posto do Cuíca para vender um saco maior que ela, cheio de “pele de porco frita” preparado por minha avó, para complementar a renda familiar. Ela liderava uma turma de aproximadamente 8 crianças mais novas rumo ao Antunes, um lugarejo onde se realizava extração de barro para cerâmicas, e só retornavam após venderem todo o estoque de pele. Todos faziam desse trabalho, que à primeira vista era maçante e sem fim, a mais gostosa diversão.

Além do trabalho, minha mãe se mostrava bastante ativa nas brincadeiras, e logo assumia a liderança e iniciativa. Com todas as obrigações familiares, ainda foi baliza na fanfarra da escola e estava sempre fazendo acrobacias. Tudo que ela aprendia como baliza tentava ensinar, sem sucesso, a mais nova das irmãs, nossa querida Tia Nega. A coitada da aprendiz não levava jeito algum para a coisa.

Na escola, nem o mais valentão se arriscava a mexer com a “filha do Zé Lopes”. E aquele que o fizesse era desafiado a chegar em casa antes que ela conseguisse lhe dar um safanão. A clássica frase “já que sua mãe não lhe dá educação, eu dou!” fazia parte do dia-a-dia da minha mãe. E na rua o “couro comia”, já que na casa da aguerrida e jovem Solange, o lema da matriarca era: “se brigar na rua é melhor bater, porque batendo ou apanhando, aqui em casa vai apanhar de qualquer jeito”.

Até meados dos anos 70, durante sua adolescência, as viagens com a família eram feitas no pau de arara. Isso mesmo. O assoalho do caminhão do meu avô se tornava o espaço que abrigava os passageiros da família Silva. Com o tempo, as viagens até Aparecida do Norte ganharam um outro patamar. Meu avô, o Zé Lopes, adquiriu uma Kombi, aquela de segunda mão, com sinais de que já havia servido a outros personagens, e a partir daquele momento seria o palco de novas histórias protagonizadas pela família da aguerrida Solange, por mais de 25 anos. Nessas viagens, havia também a companhia de seus primos Ana Maria, Firmino Cabral, Rosana, Edson e Vera.

Os irmãos Zeca e Cubando viviam em pé de guerra, e Solange era quem colocava ordem na casa. Havia inclusive um chicote, desses de cavalo, que quando a coisa apertava era usado para apartar as brigas.

Solange ainda na adolescência, mas com uma maturidade de quem teve que assumir grandes responsabilidades desde a infância, tinha um sonho de estudar na Escola Técnica Federal na capital mineira. Meu avô, certo de que minha mãe não seria aprovada autorizou-a a prestar a prova de seleção. Não deu outra, ela foi aprovada, e ao meu avô só restou autorizá-la a mudar-se para a capital, quando passou a dividir um porão com uma amiga. Ela fazia disso, como em todas as outras dificuldades, uma diversão. Na ocasião, optou por um curso dominado pelos homens: técnico em mecânica. Lá, conheceu aquele que seria seu parceiro por toda a vida, meu honrado pai, José Miguel Pinto Coelho, que neste ano deixou de fazer parte fisicamente de nosso convívio, mas eternamente em nossos corações.

Apesar do dinheiro curto, sua principal satisfação sempre foi viajar. Na infância, no pau de arara ou na Kombi da família, na adolescência de carona ou de ônibus com seu futuro marido, e as hospedagens quase sempre se resumiam em barracas de acampamento. Deixando todo o foco em aproveitar a viagem. E a falta de conforto não passava nem perto de ser obstáculo.

Ao término da escola técnica, Solange casou-se com Miguel, e então se mudaram para Varginha. Começaria a nova fase da construção desta belíssima história. Minha mãe tornou-se professora de matemática, e durante o ato de lecionar exerceu toda a disciplina e exigência que aprendeu com meus avós.

O dia-a-dia se dividia entre ser professora, ser vendedora, e cuidar da família. Fazia crochê para vender na escola e para amigas. Posteriormente começou a desenvolver aquilo que seria o negócio de sua vida, venda de porta em porta de joias e semijoias.

O embrião do negócio deu tão certo, que em apenas um ano já eram 10 revendedoras. Foi então que a família – a essa altura Solange já era mãe de dois filhos – mudou-se para Pouso Alegre para desenvolver exclusivamente o que ela e meu pai fizeram com excelência e, neste ano, o negócio da família completa 30 anos. Três décadas de muito empenho e dedicação resultou na RAHRA, referência mineira no segmento.

Com uma história dessa, seria  recitar o óbvio quando afirmo que minha mãe marcou minha infância com uma presença permanente. Mesmo trabalhando dia e noite, nunca deixou de desempenhar, de forma carinhosa e atenciosa, o papel de mãe. Recordo dos miojos com “vermelhinho” (molho de tomate), da fila das crianças com cuíca nas mãos esperando que minha mãe cortasse cana para todos. Lembro que, nas manhãs de inverno, subíamos a Comendador correndo com ela para aquecer o rigoroso frio de Pouso Alegre, me lembro da oração antes de dormir, me lembro do curativo no dedão feito com retalhos de pano. Enfim, me lembro de muito amor e ensinamento, através de um exemplo inquestionável.

Como se já não fosse uma grande luta a vida inteira. Superou o câncer de mama, perdeu recentemente seu único amor, e continua superando as adversidades. Recentemente ouvi dela uma frase marcante que resume sua história de vida, a qual nomeio essa narrativa: “Nasci para viver feliz”.

Mãe guerreira, de atitude, exemplo de vida e de dedicação. Mãe, filha, irmã, mulher, e avó. Obrigado, mãe, por ser luz que inspira, que mostra o caminho, que transforma, que nos faz sermos melhor como pessoas. Te amo!